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Esperançar também é denunciar

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  “Não há utopia verdadeira fora da tensão entre a denúncia de um presente tornando-se cada vez mais intolerável e o anúncio de um futuro a ser criado, construído, política, estética e eticamente, por nós, mulheres e homens. A utopia implica essa denúncia e esse anúncio, mas não deixa esgotar-se a tensão entre ambos quando da produção do futuro antes anunciado e agora um novo presente. A nova experiência de sonho se instaura, na medida mesma em que a história não se imobiliza, não morre. Pelo contrário, continua.” –  PAULO FREIRE  [1992], Pedagogia da Esperança Quadro de Calvet Magalhães Vida errante - Esperança moribunda Sílvia Baptista Lá onde o dia escurece onde o rio estagna onde a lua não brilha Lá onde o nascituro não chora onde os velhos escasseiam onde o vento é mudo Lá onde os tempos vagueiam onde as sombras são pesadas onde as casas estão rasas   Ouviremos um rumor Sem a essência da vida Sem o clarão do saber ...

E se fosse eu? Educação multicultural é reconhecer e valorizar a diversidade

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  Um mergulho nas “questões que afetam migrantes e refugiados em todo o mundo e os desafios do acolhimento num novo país”. Este o desafio que reuniu, dia 18 de julho, docentes e investigadores, numa ação de formação online promovida pela FENPROF e dinamizada pelo CPR – Conselho Português para os Refugiados. O longo de 3 horas, foram diversos os temas abordados, desde as tendências globais e nacionais à desconstrução de mitos, a turma multicultural, a divulgação e partilha de recursos. Aqui nos centramos em alguns momentos da iniciativa, particularmente relevantes para os professores. No quadro de “A turma multicultural”, a sua dimensão mais teórica de par de sugestões muito práticas. E, ainda, a diversidade linguística e principais especificidades, as metodologias propostas para o aprendizado da língua (e da cultura) portuguesa. A divulgação e partilha de recursos do CPR, é outro item realçado. Na sua intervenção de abertura, José Costa, presidente do SPGL, reiterou o empenho...

Mãe coragem. Lutadora incansável

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Num momento em que se têm vindo a realizar manifestações pelo direito à habitação, relembramos uma história, significativa, retirada de  " Quinta do Mocho - Era uma vez um bairro de má fama... "   Uma das coisas que me prende ao bairro é que eu lutei para vir para este bairro. Lutei muito Dª Domingas (Domingas Santos) , atualmente reformada, é natural de São Tomé e Príncipe (nasceu em Príncipe, como faz questão de sublinhar) e vive em Portugal desde 1984. É mãe de 7 filhos e criou mais 7 enteados. Foi desde sempre um elemento ativo na Quinta do Mocho e uma das pessoas que muito lutou pela reinstalação no bairro atual. (…) Havia aquela união, aquela amizade No bairro velho, “a relação era muito boa. Havia uma união entre todos. Éramos amigos, dávamo-nos bem uns com os outros. Mesmo agora, que podemos viver melhor, mais descansados, há mais problemas de assaltos e assim, do que lá em baixo”. Essa relação era o esteio que permitia suportar o quotidiano num bairro onde ...

Muito além da miragem

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  Foto de Lígia Calapez Rimas e rumos Palavras com fumos À procura do fogo Origem do jogo Que faz da vida Um beco com saída   As folhas caem Num desencanto aparente Pois que se torna urgente No sonho fazer viagem Muito além da miragem De que o paraíso É tão somente isto: Esta cidade erguida Numa folha caída   Noémia Maria Simões

CPR lança Caderno de Alfabetização para Falantes de Outras Línguas

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  O   Caderno de Alfabetização para Falantes de Outras Línguas   sistematiza o trabalho desenvolvido no âmbito do ensino-aprendizagem da língua portuguesa na procura de metodologias, estratégias e recursos que respondam às necessidades educativas dos requerentes e beneficiários de proteção internacional que não dominam as competências de leitura e escrita ou porque não frequentaram a escola nos seus países de origem ou ainda porque foram escolarizados num outro alfabeto ou sistema de escrita. Este Caderno dirige-se a professores, formadores, outros técnicos e voluntários que lidem com necessidades semelhantes e se queiram inspirar na nossa prática letiva. Comporta 2 partes que se interligam: uma com 115 fichas de exercícios reproduzíveis e outra com a  Metodologia e Estratégias . O  Caderno de Atividades Socioculturais   espelha como se integrou uma forte componente sociocultural nas metodologias de ensino-aprendizagem dos cursos de PLE e de Alfabetização. ...

“Filmar o Outro, O Gesto Documental”

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  Realizou-se em Portugal, pela primeira vez, o encontro internacional final do programa “O Cinema, Cem Anos de Juventude”.   O encontro reuniu, na Cinemateca, entre 3 e 7 de junho, alunos dos ensinos básico e secundário de 50 escolas de 14 países de todo o mundo. Onze escolas portuguesas participaram, através do trabalho desenvolvido com a Associação Os Filhos de Lumière. Nesta edição, o tema aglutinador das obras apresentadas foi “Filmar o Outro – O Gesto Documental”. Pela primeira vez a questão trabalhada foi a realização de um documentário. Este programa educativo, desenvolvido desde 1995 por Alain Bergala e Nathalie Bourgeois, cruza uma metodologia prática (em que os alunos são convidados a realizar um filme) com a análise teórica de excertos fílmicos. No início dos trabalhos, Teresa Garcia, em nome de Os Filhos de Lumière, realçou que “este programa é essencial para um verdadeiro encontro com o cinema, no que ele pode representar no crescimento e na transformação de ca...

É uma coisa que os faz crescer. Porque os faz olhar para o mundo

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Na sequência do Encontro Internacional de O Cinema, Cem Anos de Juventude , tivemos uma longa e animada conversa com Teresa Garcia, de Os Filhos de Lumière, na sede da associação. Aqui fica um pouco do muito que foi dito. Da importância de que se reveste este projeto, destacamos duas afirmações - que confluem e falam por si - da nossa entrevistada. “É uma experiência de vida. Porque também é uma maneira de olhar para os outros e de tentar criar uma relação com o mundo de cada pessoa. (…) É uma coisa que os faz crescer. Porque os faz olhar para o mundo. Porque os faz pensar nos outros. Porque faz perceber também a questão da alteridade. Entre eles e os outros. E o coletivo. Eu acho que é uma das coisas mais incríveis.”   Qual a importância da realização, pela primeira vez em Portugal, do encontro de final de ano de O Cinema, Cem Anos de Juventude? Todos os anos, nós participamos neste encontro final. Só que não podemos levar todos os participantes, porque é impossível. Est...