Esperançar também é denunciar
“Não
há utopia verdadeira fora da tensão entre a denúncia de um presente tornando-se
cada vez mais intolerável e o anúncio de um futuro a ser criado, construído,
política, estética e eticamente, por nós, mulheres e homens. A utopia implica
essa denúncia e esse anúncio, mas não deixa esgotar-se a tensão entre ambos
quando da produção do futuro antes anunciado e agora um novo presente. A nova
experiência de sonho se instaura, na medida mesma em que a história não se
imobiliza, não morre. Pelo contrário, continua.” – PAULO FREIRE [1992], Pedagogia
da Esperança
Quadro de Calvet Magalhães
Vida errante - Esperança moribunda
Lá
onde o dia escurece
onde o rio estagna
onde a lua não brilha
Lá
onde o nascituro não
chora
onde os velhos
escasseiam
onde o vento é mudo
Lá
onde os tempos vagueiam
onde as sombras são
pesadas
onde as casas estão
rasas
Ouviremos um rumor
Sem a essência da vida
Sem o clarão do saber
Longe estará o nosso
entender
Enublado estará o nosso
final
Sem contornos sem
limites
Nesse lugar paramos
absortos
Negligenciamos os
sonhos
Aniquilamos os laços
humanos
Assumimos uma culpa de
conflito
Sem sabermos da sua
razão
Somos os danos
colaterais
De discórdias assassinas
Maio 2024
Em homenagem a todos os refugiados da guerra, da fome, da perseguição
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